Após três anos atuando diretamente na defesa dos direitos da infância e adolescência, os conselheiros tutelares da Freguesia do Ó/Brasilândia concluem mandato e prestam conta

Durante estes três anos de mandato o colegiado composto por Fabio Ivo Aurelino, Humberto Elker Previato Matias, Leandro Silva Batista, Claudia Cristina e Antonio Quirino, se substituiu Celio Zupelo após renúncia, trabalhou firme para fazer garantir os direitos fundamentais das crianças e adolescentes da região Freguesia do Ó/ Brasilândia e buscamos contribuir com o Sistema de Garantia de Direitos de Crianças e Adolescentes (SGDCA) de toda a cidade de São Paulo garantindo direitos à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade humana, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária; este colegiado participou das comissões de políticas publicas, estrutura, educação, sócio educativa, setorial oeste e comissão Permanente, com posicionamento ativo e destacado na cidade de São Paulo. Desta forma durante estes três anos obtivemos avanços importantes, mas ainda há uma longa e árdua caminhada para obtermos a plena efetivação da garantia de direitos das crianças e adolescentes preconizada há 21 anos.
O Conselho Tutelar da Freguesia/Brasilândia, com histórico de atuante, nos últimos 09 (nove) anos atendeu mais de 14.000 (quatorze mil) famílias, sendo que neste mandato 2008/2011 foram atendidas 4.671 famílias. Tendo a seguinte distribuição de ocorrências: drogadição 39 (considerando apenas os casos que buscaram diretamente por essa razão, pois em outras demandas, como abandono, maus tratos e conduta também foram diagnosticadas o problema com drogas) –abandono 43- transporte escolar 74- social-165- violência sexual 203- saúde 279- negligencia 388- conduta 552- maus tratos 523- vaga educação infantil 826- encaminhamentos das escolas 788 e 758 demais ocorrências, com a seguinte distribuição geográfica, 05 -V.São Joaquim,09 -V. Serralheiro,12 -Icaraí, 13- Jd. Brasilia,19- Cohab Brasilândia, 19- Iracema,20 Pq. Belém, 23-Almanara, 37-Cruz das Almas, 38- Princesa,41- Bancaria, 23- Maracanã, 24- Jd. Francos, 51-Itaberaba, 82 Jd. Paraná, 110-Terezinha, 159-Penteado, 173- Damasceno, 179 -Vista Alegre, 212- Guarani, 237- Elisa Maria, 322 -Fó, 870- V. Brasilandia, 620 Jd. Paulistano, 988 demais bairros. É importante esclarecer que embora o Jardim Paulistano tenha o maior número de famílias atendidas não significa dizer que se trata do bairro com maior número de violação de direitos contra as crianças e adolescentes, assim como o Jd. Paraná com menor número de famílias atendidas não significa que haja poucas crianças e adolescentes com direitos violados, mas sim que o bairro do Jd. Paulistano como outros estão buscando mais o Conselho Tutelar para fazer garantir os direitos de seus filhos.
Neste mandado 2008/2011 o colegiado buscou trabalhar de forma institucionalizada, buscando valorizar o órgão Conselho Tutelar, fazendo garantir os direitos das crianças e adolescentes que buscaram este órgão durante este mandato, também buscou aproximação efetiva com a rede de garantia de direitos das crianças e adolescentes, ademais buscou participar e apoiar a efetivação da tão almejada rede de proteção a infância, a fim de apoiar as iniciativas de efetivação da rede e divulgar o trabalho do Conselho Tutelar. Este colegiado participou de inúmeras atividades e reuniões com os diversos atores da rede, entre elas pode-se ressaltar uma participação regular nas reuniões e nas atividades propostas pelo Fórum Regional da Criança e Adolescente; também participou de diversas reuniões do Fórum de Enfrentamento à Violência; participou de varias reuniões escolares nas EMEF Morro Grande, E.E. Hélios, ETEC JD. Paulistano, também com DRE FÓ/Brasilandia entre outras; também participou de reuniões com equipe da UBS Terezinha, UBS Jd.Paulistano, UBS Guanabara, UBS Guarany, UBS Icaraí, UBS Brasilândia, entre outras e suas respectivas equipes do NASF; também se reuniu regularmente com outros equipamentos relacionados a saúde da nossa região, CAPS Infantil, CAPS AD, Supervisão de saúde, Também se reuniu várias vezes com os profissionais da assistência social, CRAS e CREAS, mantendo agenda regular com os núcleos que atendem adolescentes em conflito com a lei e cumprem medidas sócioeducativa e liberdade assistida, além de reuniões com Vara de Infância e juventude da Lapa e respectiva Promotoria, também participou de reuniões nos três Conselhos de Segurança, CONSEG, da nossa região, participamos das conferência da criança e dos adolescentes e buscou alternativas de divulgação e sensibilização com as entidade da região reunindo-se com todos os agentes interessados.
Neste período, 2008/2011, houve grandes mudanças em todo o sistema de garantia de direitos de crianças e adolescentes, exigindo novas compreensões e um novo olhar dos conselheiros Tutelares dentro do sistema de garantia de direitos, entre estas mudanças duas foram responsáveis pelas principais alterações, a implantação do SUAS, reorganizando todo o sistema de assistência social com a implantação dos CRAS E CREAS e a LEI 1210/09, que foi a maior “alteração” no Estatuto da criança e adolescente desde a sua criação a 21 anos, tudo isto exigiu de todos um novo entendimento de funcionamento do sistema de garantia de direitos.
O colegiado entende que se faz necessário buscar avanços dentro do sistema de garantia de direitos em muitos aspectos, entre eles buscar alternativas não judicial, em especial nos casos que estejam relacionados ao direito à educação e questões sociais, com isto simplificando os atendimentos, dando maior agilidade no restabelecimento ou garantia dos direitos violados, já que em regra todos compactuam que se trata de direitos garantidos em lei, desta forma desafogará a Vara de Infância e Juventude destas ações burocráticas, garantindo possibilidade de maior agilidade nos casos de maior compressibilidade principalmente nos restabelecimento de vínculos familiares.
Os conselheiros reconhecem muitos avanços na rede de serviços de atendimento a crianças e adolescentes, tal como a implantação do segundo Conselho Tutelar, e a ampliação da rede de ensino fundamental e transparência na demanda de ensino infantil. Na assistência social, houve a descentralização dos serviços e implantação dos CRAS e CREAS e na saúde, principalmente com a cobertura na rede de saúde mental com os CAPS INFANTIL e CAPS AD além da nova UBS Paulistano, porém ainda existe muito a avançar. Apesar da abertura de novas vagas no ensino fundamental existem constante de falta de professores em especial na rede estadual, e a necessidade da rede municipal avançar de forma efetiva na educação infantil com rede própria não criando dependência das entidades sociais, pois, só na Brasilândia têm mais de 5mil crianças na lista de espera (dados da SME) e a prefeitura praticamente não tem construído unidades faz anos. Na assistência existem dois grandes desafios: Casa para acolhimento institucionais (abrigos). Existiam duas unidades, mas uma foi fechada. Hoje existe apenas uma unidade na região com capacidade para 20 crianças/adolescentes, o que significa que há centenas de crianças/adolescentes da Freguesia do Ó e Brasilândia espalhadas pela cidade em todas as regiões, inclusive irmãos separados, afrontando a legislação e criando dificuldades às famílias já complexas e dificultando a reinserção familiar. Também se faz necessário avançar na assistência básica ampliando o número de vagas para atividades no contra turno escolar CCA (os antigos OSEM’s), CJ e demais programas - não é razoável bairro como o Jd. Damasceno com apenas 80 vagas, Jd. Paulistano com apenas 120 vagas, Jd. Icarí e Vila São Joaquim e tantos outros sem unidades alguma. Quanto a saúde existe o gargalo das especialidades e na ampliação do Programa Saúde da Família, para assegurar a atenção básica e agir na prevenção, devido o seu formato com visitas domiciliares com os agentes de saúde, equipe médica e equipe de NASF; é o Estado chegando à comunidade e entrando nas residências isto faz toda diferença (humaniza o atendimento).
Ressaltamos que estes apontamentos e tantos outros, com média de um a cada 05 meses, foram alvo de representações ao Ministério Público dos Direitos Difusos e Coletivos da Infância e Juventude. Tais proposituras foram acolhidas e estão em andamento, porém acreditamos que judicionalisar as questões administrativas e sociais é um equívoco, por isso buscamos sempre outras alternativas que certamente devem ser aperfeiçoadas e buscamos o judiciário apenas quando se demonstraram com evidencias a falta de compromisso em buscar alternativas viáveis para garantir os direitos sociais reconhecidos na Constituição Federal e no Estatuto da criança e adolescentes, causando violações as crianças e adolescentes de hoje demonstrando cristalização de uma situação que não há alternativas claras nem a médio e longo prazo.
Entendemos que é necessário viabilizar espaços de prestação de contas semestrais, a onde além de reunir a rede de serviços de atendimento de crianças e adolescentes também seja um momento de aproximação com todas as entidades sociais e igrejas, em especial com as que gerem recursos públicos, para se diagnosticar e aprofundar os meios de criação e ampliação das políticas públicas, assim garantindo e fazendo cumprir previsões legais de auxiliar o executivo nas propostas orçamentária e na criação de políticas publicas através do CMDCA.
As violências física, psicológicas e sexuais em nossa região contra as crianças e adolescente chegam a número assustador, combater essas violências certamente é um dos grandes desafios de todos, que só será possível se todos se unirem , porém enxergamos nas UBS, em especial as que operam com PSF devido suas características já anteriormente apresentada, um parceiro essencial não só no atendimento as já vitimizadas como também na prevenção. Ainda acreditamos que a educação e a assistência através dos CCA e CJ tenham o maior potencial para a divulgação de uma política de paz, a Subprefeitura tem o importante papel de priorizar a conservação e manutenção dos espaços públicos quadras, praças CDC afim de garantir possibilidade de convívio social com dignidade e ao sistema de segurança pública cabem medidas prioritárias nestes espaços citados afim de garantir o convívio comunitário e familiar com segurança.
Desta forma o colegiado, do mandato de 2008/2011 composto pelos conselheiros Tutelares citados no início desta carta, depois reforçado com a posse dos novos conselheiros Adelmo, Andrea e Luiza, que substituíram Leandro, Humberto e Antônio, que após concluírem o mandato dentro do período estipulado em 2008, renunciaram, deixa aqui a nossa humilde contribuição, construída com os 4.671 relatos de famílias atendidas e de dezenas de relatos apresentados pelos mais diversos profissionais do sistema de garantia de direitos. É sabido da que precisamos avançar o mais rápido na efetivação dos direitos básicos e fundamentais das crianças e adolescentes, que precisamos burocratizar menos, a clareza que apesar do papel indispensável do judiciário, que sozinho não conseguirá dá conta das questões sociais, e que todos precisam fazer valer a prioridade absoluta que é previsto em lei e que isto implica em investimento prioritários em unir esforços e superar vaidades, um desafio constante e diário de nos enxergar de forma linear e com objetivo comum o de fazer garantir a efetividade do sistema de garantia de direitos das crianças e adolescentes.
Desejamos aos 10 novos conselheiros Tutelares da Freguesia do ò e Brasilândia, e todo que compõe o sistema de garantia de direito todo o sucesso neste grande desafio e a certeza que nestes três anos tentamos fazer o melhor, mas somos imperfeitos e falhos.
Agradecemos em nome da Santíssima Trindade pelo apoio, carinho, companheirismo de toda nossa comunidade durante esse trabalho.
Um forte e fraterno abraço a todos.